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| Campinas. jun/2016 |
Ontem eu sentei numa praça pra caçar meus bichinhos e no caminho conversava com uma colega sobre os abusos. Os recentes e recorrentes abusos, dos rapazes, de todo dia. Vocês não aguentariam nadinha sob a nossa pele. E não temos escolha.
A praça estava borbulhando de adolescentes tomando os porres mais memoráveis de bebidas sem bolhas. Uma relação álcool/dinheiro que cabia nos bolsos daqueles jeans encardidos. Nessa idade o corpo da conta do álcool.
Ainda agora a professora falou da incrível plasticidade das células do fígado em responder ao álcool. Como ela sabia que eu estava pensando em pinga? Espanto. Disse que se a gente for no bar e tomar pinga uma semana seguida na sexta feira já notaremos que precisamos de mais pra sentir o efeito, sabe? Achei isso tão bonito e tão pretensiosa essa escolha de querer entender o funcionamento das estruturas dos organismos vivos.
E eu ainda estava sentada num banco daquela praça esperando o relógio do celular chegar num número par. Gosta da exatidão e simetria dos números pares, deixam as coisas mais certas. Era o plano: 21h10 eu levantaria e iria embora. E 3 garotas estragaram tudo. Não respeitaram minha solidão nem meu plano. Sentaram do meu lado. E eram lésbicas e papeavam alto e que tipo de conversa a gente espera de lésbicas? Pois é, elas falavam justamente de um asilo que fechou e que queriam mesmo era ajudar as crianças carentes que escrevem pros correios pedindo presente pro papai noel. Esperei as ímpares saírem e fui, numa hora par, um pouco mais tarde que a ideia inicial.
Já está na época da gente esbarrar com esses sentimentos de fim de ano evaporando por ai.
E eu acho tudo isso interessante pra caramba mas nada consegue, nem de longe, competir com a falta de quem ainda não matei aqui dentro. O tempo da aula tá acabando. E o teu também, menino: tô pra acabar com a tua raça no próximo dia dez.

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